[Resenha] Um de nós está mentindo - Karen M. McManus

        Um suspense que prenderá o leitor da primeira à última página. Numa tarde de segunda-feira, cinco alunos entram em detenção no colégio Bayview: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, Addy, a bela, a definição da princesa do baile de primavera, Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas, Cooper, o atleta, astro do time de beisebol, e Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Os outros quatro alunos são suspeitos do seu assassinato. Ou eles são as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo? Mas até onde cada um vai para proteger os seus?








Autor: Karen M. Mc Manus.
Páginas: 382.
Editora: Galera.

        Quando os cinco alunos do colégio Bayview se veem trancafiados na sala do Sr. Avery, o que se propõe é que eles apenas passem um tempo na detenção, da qual consideram bastante injusta, já que todos ali não fazem ideia de como celulares, que são proibidos na aula deste professor, foram parar de forma bem similar nas bolsas deles.
         O que não se esperava era que um deles não sairia vivo dessa, e logo Simon, um dos garotos mais odiados da escola. Era famoso por causa de um aplicativo sádico de fofocas, que costumavam ser bem certeiras e sufocantes. 
        A proposta inicial é bem bacana, mas talvez o fato de que qualquer um poderia se propor a fazer isso acaba tirando a magia do "Ah, meu Deus, por que será que fizeram isso com ele?". É bem claro que os alunos de Bayview tinham seus motivos, sobrecarregando um pouco a história com o que no início parecia ser apenas receio de serem expostos para passar a ser um ódio recheado de rancor.



        A construção dos personagens é evolutiva. A cena inicial, da morte de Simon já é narrada por um deles e os demais capítulos seguidos são divididos entre Nate, Bronwyn, Addy e Cooper. As características um tanto clichê dadas aos principais suspeitos da morte de Simon dá um gostinho interessante à trama adolescente. Nate é o badboy criminoso, vende drogas e está em liberdade condicional; teve uma construção familiar péssima (pai alcoólatra e mãe que o abandonou), auxiliando a autora para tratar  de assuntos como a bipolaridade da mãe (doença psíquica) e o alcoolismo do pai, me lembrando bastante nesses aspectos "Morte Súbita", de JK Rowling, com essa parte mais vital de demonstrar a sociedade de forma nua e crua, mesmo que a autora não tenha sobrecarregado nesse aspecto.
        A Bronwyn, com uma irmã que recentemente tinha vencido a leucemia que perdurou por anos, é uma garota aparentemente singela. Contudo, tanta atenção centralizada na irmã fortaleceu a ideia nela de que ela precisava ser perfeita para compensar o cansaço que os pais dispunham para ajudar Maeve. Esse tipo de construção familiar é bem mais comum do que se possa imginar, então é outro ponto que a autora traz para a sua trama. Quando tratamos de Addy, que se propunha a ser a garota perfeita e arrogante, as coisas se encaminham de forma um pouco mais amenas, sendo guiado por sentimentos de insegurança e receios. Cooper é um dos que é menos desenvolvido e é melhor apresentado somente mais para o final, já que ele de início apenas aparenta ser o incrível jogador de beisebol com foco total em sua carreira.
        Talvez não tenha sido o propósito inicial da autora, mas é bem nítido o foco que ela dá a Nate e Bronwyn, tanto que as vezes eu percebia que havia dois capítulos seguidos dela. Os demais são mais coadjuvantes, apesar de terem sido desenvolvidos individualmente.
        Com opiniões bem divergentes, a narrativa corre para um final suficientemente bom, com poucos picos de tensão extrema, mas muita base para a gente se deliciar. A escrita de Karen McManus é bastante fluída e é bem perceptível que a autora não perde tempo descrevendo espaços e pessoas. Isso é bastante controverso, por que muitos leitores são unânimes em afirmar que uma história sobrecarregada de detalhes e descrições se torna cansativa e fria, mas deixar de compor o espaço foi um dos pontos que me incomodaram nessa leitura.
        Por fim, acredito que a autora foi feliz em compor uma narrativa de um jeito meio próprio, não muito comum nesse tipo de leitura, já que talvez a narrativa em 1ª pessoa pudesse atrapalhar os aspectos investigativo dos nossos leitores, e talvez seja por isso que se trata de uma leitura um tanto controvérsia, gerando das mais variadas opiniões, mas que vale muito a pena ser lido e saboreado. 
        

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