Vocês já pararam para pensar como seria se ainda vivêssemos em um sistema com escravidão? Quem vocês seriam, senhores ou escravos?

Sinopse: Kestrel quer ser dona do próprio destino. Alistar-se no Exército ou casar-se não fazem parte dos seus planos. Contrariando as vontades do pai - o poderoso general de Valória, reconhecido por liderar batalhas e conquistar outros povos -, a jovem insiste em sua rebeldia. Ironicamente, na busca pela própria liberdade, Kestrel acaba comprando um escravo em um leilão. O valor da compra chega a ser escandaloso, e mal sabe ela que esse ato impensado lhe custará muito mais do que moedas valorianas. O mistério em torno do escravo é hipnotizante. Os olhos de Arin escondem segredos profundos que, aos poucos, começam a emergir, mas há sempre algo que impede Kestrel de tocá-los. Dois povos inimigos, a guerra iminente e uma atração proibida... As origens que separam Kestrel de Arin são as mesmas que os obrigarão a lutarem juntos, mas por razões opostas. A Maldição do Vencedor é um verdadeiro triunfo lírico no universo das narrativas fantásticas. Com sua escrita poderosa, Marie Rutkoski constrói um épico de beleza indômita. Em um mundo dividido entre o desejo e a escolha, o dominador e o dominado, a razão e a emoção, de que lado você permanecerá?

Autora: Marie Rutkoski
Editora: Plataforma 21
Páginas: 322



Kestrel é uma valoriana cujo povo conquistou a terra de Herran, transformando os cidadãos herranis em escravos. Em um impulso, Kestrel, que é filha de um grande general, acaba comprando Arin e, entre eles acaba surgindo uma relação que jamais deveria e existir entre senhores e escravos.

"- ... Não é isso que as histórias fazem? Transformam coisas reais em falsas e coisas falsas em reais?"
 Nesta sociedade a qual somos apresentados, os jovens, ao fazerem 20 anos, tem duas opções: entrarem para o exército, ou se casarem a fim de gerarem novos cidadãos. Kestrel, por ser filha de um grande general, é pressionada pelo seu pai para que se aliste ao exército mas, embora possua uma ótima visão estratégica e frequentemente oriente seu pai em assuntos de guerra, ela não tem a pretensão de seguir a carreira militar, mas também não quer se casar. Para ela, a vida seria perfeita se pudesse passar o dia tocando piano. Entretanto, as artes são vistas como atividades desvalorizadas pela cultura valoriana. Apenas os herranis podem usar as expressões artísticas como forma de entreter valorianos.

E é ao saber que Arin é um excelente cantor, que Kestrel acaba comprando-o por um preço exorbitante em um leilão de escravos. Inciando assim muito mais que uma relação de senhora e escravo, uma vez que entre os dois se desenvolve uma amizade muito peculiar.

 "- Você pode não me ver como amiga - Kestrel disse a Arin - mas eu vejo você como um."



O que Kestrel não sabe é que Arin é muito mais do que um simples escravo em sua casa e que sem ter a intenção ela está colaborando para uma revolução que mudará toda a sua vida e colocará em perigo aqueles que ela mais ama.

Ao ler este livro me peguei pensando diversas vezes sobre como muitas pessoas, para conseguir o que querem, podem utilizar os meios que forem, e passarem por cima de quem for necessário, sem se importar com o próximo... E, apesar de ser uma ficção, este livro não deixa de refletir a história de nossos antepassados e até mesmo a nossa história atual, pois embora não tenhamos mais a escravidão, vivemos em uma sociedade onde muitos ainda pensam apenas em suas realidades, ignorando as mazelas vividas pelos outros e fazendo o que for preciso para conseguirem o que desejam independente de quem irão afetar no percurso.

"- Você acha que eu me importo com como você venceu? - seu pai disse, com a voz suave. - Você venceu. Os métodos não importam."

Este é um livro sobre escolhas, lealdade, guerra, sobre o amor... Mas que também nos faz refletir sobre qual é o nosso papel no mundo em que vivemos, somos aqueles que fecham os olhos para os problemas enfrentados pelos outros ou tentamos melhorar o mundo para todos?



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