O que sabemos sobre mortes? Já comecei o livro um pouco tremula, um título desses ...


Sinopse: A profissão de removedor de animais mortos não é para qualquer um. Apenas alguém como Edgar Wilson, o herói deste desolador romance kafkiano, poderia se prestar à tarefa de recolher das estradas as carcaças que obstruem o caminho dos veículos. Acompanhado do colega Tomás, um padre excomungado, Edgar tem seu cotidiano abalado quando encontra o corpo de uma mulher enforcada. Na tentativa de devolver o mundo o curso da normalidade - palavra fugidia no universo construído magistralmente por Ana Paula Maia -, os dois conhecerão o destino de seus semelhantes numa realidade em que o animal muitas vezes tem melhor sorte do que o homem.




Autor(a): Ana Paula Maia
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 134



         O nosso protagonista se chama Edgar Wilson, que trabalha com algo bem fora da casinha na minha concepção juntamente com seu colega Tomás, um ex-padre excomungado. A função de Edgar e Tomás é carregar todos os animais que eles encontram mortos nas estradas e levar para ser triturado, incinerados e serem transformados em adubos.

         A história se passa num local no meio do nada, um local monótono e sem muita coisa pra fazer. Parece mesmo um local utilizado pra fazer apenas o que deve ser feito: Recolher carcaças de animais.



         Até que um dia Edgar se depara com o corpo de uma mulher enforcada, e mesmo não fazendo parte do seu trabalho, ele decide enfrentar de tudo para conseguir retirar aquele corpo dali e dar um destino a ele. No entanto, daí pra frente os rapazes encontram novos corpos de pessoas e começam a passar por inúmeras dificuldades e burocracias a fim de esconder esses corpos e destiná-los a um local digno, enquanto um se preocupa com a alma o outro com a carcaça.  

Assim como não teme o pôr do sol, Edgar Wilson entende que não deve temer a morte. Ambos ocorrem involuntariamente num fluxo contínuo.

         Bem diferente de tudo o que eu já li, o mistério não é sobre quem está por trás das mortes, nesse livro os assassinos não têm destaques, mas sim as mortes e o que as mortes representam.

Os peixes, mesmo mortos, brilham. Os homens quando morrem são cobertos de trevas e tudo se apaga rapidamente. O que havia nesses olhos se foi. Não há mais nada ali.

         Não consegui interpretar bem se o livro possui alguma reflexão, mas uma coisa ficou bem óbvio, aquele era um lugar em que haviam mais recursos para as carcaças dos animais mortos do que para os cadáveres dos humanos. Sem contar que o livro retrata o lado obscuro do IML, e mesmo que a gente não entenda isso, ao morrer o nosso corpo deixa de ser algo de grande importância e passa a ser apenas um nada.

         Pra quem gosta de sair da zona de conforto às vezes recomendo essa leitura. Ela é curtinha, muito curiosa e um verdadeiro terror psicológico.  


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