Olá gente!!

          Um livro que desde o começo você já sabe como vai terminar, mas mesmo assim te prende e te faz pensar muito e não concluir nada…. Um livro que tenho dificuldade de definir: Esse é As Virgens Suicidas de Jeffrey Eugenides!

Sinopse: Num típico subúrbio dos Estados Unidos nos anos 1970, cinco irmãs adolescentes se matam em sequência e sem motivo plausível. A tragédia, ocorrida no seio de uma família que, em oposição aos efeitos já perceptíveis da revolução sexual, vive sob severas restrições morais e religiosas, é narrada pela voz coletiva e fascinada de um grupo de garotos da vizinhança. O coro lírico que então se forma ajuda a dar um tom sui generis a esta fábula da inocência perdida. Adaptado ao cinema por Sofia Coppola, publicado em 34 idiomas e agora em nova tradução, o livro de estreia de Jeffrey Eugenides logo se tornou um cult da literatura norte-americana contemporânea. Não por acaso: essa obra de beleza estranha e arrebatadora, definida pela crítica Michiko Kakutani como 'pequena e poderosa ópera no formato inesperado de romance', revela-se ainda hoje em toda a sua atualidade.



Autor: Jeffrey Eugenides
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 202


            Imagine uma família com cinco filhas, um pai omisso e uma mãe super religiosa. Agora imagine que a mais nova das meninas tente suicídio. Esse é o plot do livro As virgens suicidas. Nesse livro somos apresentados à família Lisbon e seus sete integrantes. Um pai professor que é omisso e se sente acuado pela presença de 6 mulheres, sua esposa e as cinco filhas. Para a sorte do pobre homem além da típica dona de casa religiosa ele convive com as filhas que querem conquistar seus espaços, saírem da vida ditatorial imposta pela mãe, pra completar as meninas têm o ciclo menstrual assustadoramente harmonizados (sim, todas elas ficam menstruadas no mesmo período).


            Essa típica família americana vive em um típico bairro americano de casas grandes com quintais com cercas brancas e vizinhos que participam dos seus churrascos e te emprestam o cortador de grama …(esqueci da parte “vizinhos fofoqueiros). Agora se você vier me perguntar o que leva 5 meninas, consideradas lindas, ao suicídio não vou saber responder. A grande da verdade é que a história é contada através de recordações de rapazes (agora homens começando a ter calvice) que eram, o que hoje em dia consideramos, stalkers das meninas. Ou seja, além de serem informações bem subjetivas, ainda temos os anos de distância entre o ocorrido e o que é contado.

            Ao longo do livro percebi é que deterioramento é a palavra chave dessa história. Além de presenciarmos o deterioramento da família, vemos o deterioramento da saúde mental das meninas, o casamento e relacionamento entre os integrantes da família e tudo isso representado pela deterioração da casa dos Lisbon.

 “Na manhã em que a última filha dos Lisbon resolveu que tinha chegado sua hora de se suicidar - foi Mary desta vez, e remédios para dormir, como Therese - os dois paramédicos chegaram à casa sabendo onde ficava a gaveta de facas, o forno a gás e a viga do porão na qual era possível atar uma corda. Saíram da ambulância, em nossa opinião com a lerdeza de sempre, e o gordo disse baixinho: ‘não estamos na TV, pessoal, isso é o mais rápido possível’. Carregando o peso do respirador e da unidade cardíaca, passou pelos arbustos, que tinham crescido até ficarem monstruosos, e cruzou o gramado exuberante que costumava ser discreto e imaculado treze meses antes, quando os problemas começaram.”

          Apesar de ter gostado bastante da história me incomodou um pouco a narrativa. Conhecer a história e os acontecimentos através do olhar dos admiradores das meninas me deixou levemente incomodada. 

        Quais os motivos? Bem, pra começar fiquei com a sensação de que essa admiração pelas meninas era na verdade comportamento de stalker. Eles veem tudo, sabem de tudo, tem pedaços de cabelos das meninas, mudas de roupa, chicletes mastigados e além disso, se você gostasse tanto de alguém você não faria algo para evitar as tragédias que segundo eles mesmos já eram anunciadas?! 

            Além disso é irritante ver como a vizinhança se comporta diante dos acontecimentos e pior ainda é saber que esse comportamento nada mais é do que um espelho da realidade, do desinteresse pelo próximo, mas o interesse pela desgraça do próximo. 

          Recomendo muito esse livro, mas para explicar a leitura dele acho mais fácil usando uma metáfora. Esse livro é como uma bebida amarga você sabe que precisa engolir de uma vez para o gosto não se demorar, mas ao mesmo tempo ele é impossível de engolir de uma vez. Você se sente obrigado a degustá-lo.

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