Olá gente!

            Hoje vamos conversar sobre o livro “O ódio que você semeia”, quero que saibam de antemão que vai ser uma resenha emotiva e com bastante reflexão não apenas sobre o livro e suas características, vamos falar se sentimento, consciência e aprendizado.

Sinopse: Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos. Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra. Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa. Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.

Autora:
Angie Thomas
Editora: Galera Record
Páginas: 378


         Esse livro foi uma surpresa maravilhosa de 2018, já comecei o ano com pé direito, pois “O ódio que você semeia” é uma leitura maravilhosa que com toda a certeza entrou para meus favoritos da vida.


        Confesso que não estava muito animada para realizar essa leitura, comecei meio relutante, mas logo nas primeiras páginas fui arrebatada para essa história magnifica, logo no inicio da narrativa eu já senti o impacto emocional da história, eu não sou de chorar (sou uma pedra de gelo), mas me vi chorando antes mesmo das 100 páginas serem atingidas, imaginar a dor da Starr me deixou bem abalada, tentei me colocar no lugar dela e foi tão triste que eu recuei por algumas vezes, não conseguia ler por muito tempo, sempre precisava dar uma parada para me recompor, não sei se é certo dizer que essa é uma história bonita, pois não é, mas posso afirmar que é uma história que passa muita verdade, e que agrega de mais na vida da gente e merece ser lida, relida e indicada aos quatro ventos.

            Esse é o livro de estreia da autora e posso afirmar com todas as letras que ela fez um trabalho maravilhoso, a ambientação, a narrativa em primeira pessoa pelos olhos da Starr, os diálogos, os assuntos bem levantados e executados e a conclusão impressionante de uma história que poderia ser baseada em fatos reais. É perceptível que a autora tem vivencia do que está falando, não pesquisei a vida dela, mas é tudo tão bem construído que é possível para o leitor sentir cheiros, sabores, visualizar cores e formas, escutar sons e ser embalado pelas canções de referencia que tocam durante a narrativa. Não é possível que uma autora possa passar tanta verdade se essa verdade não fizer parte do que ela é, presenciou ou até mesmo sofreu, como eu já disse não sei da vida dela, mas é incrível sua forma de descrever a realidade e nos puxar para dentro dela.



        A principio eu me foquei muito nos personagens em volta da protagonista, para quem não sabe a história narra a luta interna e externa da Starr, após ser testemunha do assassinato de seu melhor amigo por um policial. Eu procurei prestar bastante atenção em como as pessoas em volta dela se comportavam com o que aconteceu e graças a isso pude sentir em primeira mão todo o carinho e suporte que uma família pode oferecer, cada um com suas próprias características, mas todos juntos envolta do amor e de um mesmo ideal.  O livro é cheio de personagens impares, cada um com sua contribuição e importância para trama, mas o destaque fica para os pais da Starr, sempre dispostos a preservar a opinião dos filhos, sem deixar de cuidar da educação, acredito que seja uma balança que apenas pais podem entender e como não sou mãe só consigo ver a beleza de formar e entregar para o mundo pessoas de bem, com opinião forte e cinte de sua importância para o mundo. Os diálogos e as lições que esses pais passaram para seus filhos ao longo de todo livro me marcaram muito e eu vou aplicar e levar isso para a minha vida.

            Eu comecei olhando de cima a narrativa como um todo, me conectei com os personagens, mas os problemas sociais relatados não me tocaram em um primeiro momento, até porque na minha cabeça era uma realidade dos EUA e não nossa, então não tinha necessidade de eu me preocupar com aquilo, mas em um dado momento que eu não sei dizer exatamente qual foi eu percebi o quanto sou alheia aos problemas sociais que me cercam, pois olhando de perto é a mesma coisa, a narrativa de “O Ódio que você semeia” poderia estar sendo feita em alguma favela do Rio de Janeiro, o que é relatado no livro vai além de gueto x favela, vai além de EUA x Brasil, é uma realidade de gente negra e pobre que são afogadas na desesperança, largadas as margens para sobreviver e existir e que tem sua voz pouco ouvida por pessoas que não tem a mesma realidade. Me chocou a forma como eu enxergo um “bandido” morto na TV, não vou ser hipócrita e dizer que sinto muito por ele, mas posso afirmar que vou pensar mil vezes antes de condenar alguém , julgar e dar opinião sobre a vida de alguém que eu não conheço, a mídia pode distorcer ao invés de informar e a partir dessa leitura eu vou passar a olhar como “talvez um bandido” e não mais como “ com certeza um bandido”.



            Percebi com essa leitura que não sou juíza da vida de ninguém, não vivo aquilo para ter uma voz ativa, não sou ninguém no meio de tanta luta, dor e suor.  Porém Starr me ensinou uma lição valiosa, somos o que queremos ser, defendemos o que é certo para gente e precisamos fazer com que nossa voz seja ouvida. Não tomarei nunca para mim uma luta que não é minha, não tenho desejo, nem pretensão de protagonizar a luta de outros, mas posso me propor a ouvir e tentar da melhor maneira entender a revolta por trás das palavras, enxergar além de uma noticia de TV, não me calar diante de uma brincadeirinha racista que ofende e magoa mesmo que a pessoa fique quieta, principalmente não deixar que outros sofram enquanto eu fico calada e alheia.
           
            “O ódio que você semeia” é um livro que levanta uma bandeira pouco explorada de forma comercial, por ser protagonizado por uma menina de 17 anos acredito que o livro atinja de maneira mais eficaz aqueles que fazem o nosso futuro, que por se tratar de uma narrativa fluida, rápida e direta, chegue com mais rapidez e seja mais bem aceita pelas pessoas do que seria um relato cru de uma realidade que não nos atinge.  Eu pensei muito, questionei muito as escolhas da autora de colocar algo que levante a ideia de racismo reverso (que não existe, vale deixar claro), mas a explicação para tal intolerância de relacionamento inter-racial foi muito coerente e mesmo não sendo o foco da história teve um papel muito importante nesse livro.


          Fiquei pensando o que faz de nós iguais? E diferentes? Cheguei à conclusão que oportunidades fazem isso, somos o que somos pelas oportunidades e também pelo nosso esforço no dia-a-dia, eu espero como ser humano que possamos levar oportunidade para todos os lugares não como forma de esmola ou um “cala boca”, mas por respeito e por realmente querermos igualdade através de gêneros, raças, religiões e poder aquisitivo. Agora a pergunta que fica é: O que eu posso fazer para mudar a realidade em que vivemos? EU, vou começar com respeito e tolerância, mas espero expandir isso de alguma outra forma. E você?



        Para terminar quero dizer que a Galera Record apostou nesse livro e ganhou muito com isso, não porque ele vai virar filme e tem grande visibilidade, a editora ganhou por publicar uma história que agrega na vida das pessoas, nos coloca para refletir e nos tira da nossa zona de conforto. Uma coisa é certa, eu mudei depois dessa leitura e espero que vocês tenham a oportunidade de conferir essa história e que aprendam com ela também.


Classificação
Esse livro foi cedido pela editora em forma de parceria.

Beijos e até a próxima!


16 Comentários

  1. Oi, tudo bem?
    Que blog fofo, parabéns pelo trabalho!
    Já vi várias indicações desse livro, vou colocar na minha lista de livros para ler. Hahaha.
    Já estou seguindo.
    Beijos. ♥

    www.freakandcreepy.com

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  2. Oi oi!

    Tudo bem? Desde o ano passado tenho lido resenhas positivas sobre O Ódio Que Você Semeia e a sua também não parece discordar da grande unanimidade que é este livro.

    Discordo apenas em uma coisa da sua resenha. O que nos difere vai muito além das oportunidades, os séculos de violência e preconceito contra pessoas negras não só tirou as oportunidades delas, mas também as deixou mais vulneráveis. E sim, okay, as oportunidades foram tiradas dos negros desde cedo, assim como sua cultura, seus rituais, sua liberdade. O que estou querendo dizer é que acredito que vá além de oportunidades porque o cenário de hoje é uma construção histórica, mas quem sou eu pra falar? Não vivo isso todos os dias, então acho que posso estar tomando o lugar de fala das pessoas.

    O fato é que O Ódio Que Você Semeia trouxe mais visibilidade para um tema que as pessoas tentam fechar os olhos e dizer que não existe. O racismo é absurdo em qualquer tempo, mas nos dias de hoje é ainda mais reprovável.

    Beijinhos
    www.paraisoliterario.com

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    Respostas

    1. Jessie!
      Bem colocado seu comentário. Não entrei no mérito histórico, pois para o livro é irrelevante, ele fala mesmo de oportunidade e da lutar para sair do lugar onde são impostos por sua cor e por justiça. Também não vivo essa realidade, então prefiro não falar muito a respeito, mas o que eu quis dizer com “o que nos difere são oportunidades” é que nós privilegiados pela cor (simplesmente pela cor) começamos a corrida na frente sem o menor esforço enquanto pessoas negras precisam correr muito mais para alcançar suas metas e às vezes chega a ser impossível devido outros fatores, ou seja, o que difere em oportunidade é quem larga na frente e nós sempre largamos na frente e não nos damos conta, então na minha visão precisamos largar juntos da linha de partida para assim construir uma vida mais justa e humana. É ridículo ter que falar sobre diferença de raça nos dias de hoje realmente, é vergonhoso o que fazemos com nossos semelhantes. Mas com representatividade, empatia e respeito tenho esperança que chegaremos a um mundo onde largaremos todos juntos da mesma linha, no mesmo tempo. Obrigada pelo comentário é muito importante o debate

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  3. Quero tanto ler esse livro, seja pela realidade nua e crua que nos apresenta, seja pelo impacto emocional que você mencionou. Em relação a premissa do livro sem dúvida é um assunto que levanta muita discussão, mas que eu prefiro fazer a minha parte ao invés de discutir. Tenho pra mim que todos devem respeitar o espaço, a ideologia, a religião, raça e afins do outro. Essa é a melhor forma de mudar a realidade que vivemos.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  4. Olá!

    É uma temática muito importante desde sempre, e sendo bem abordada, o que parece ser o caso desse livro, o torna interessante pra minha pessoa. A gente não sabe o que as pessoas negras passam, a discriminação racial é algo monstruoso. Não conhecia o livro, mas curti super a premissa e saber que o livro te surpreendeu positivamente.

    Beijo.

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  5. Oi, tudo bem?

    Fiquei bastante tentada em comprar a obra quando lançou mas com o acúmulo de leituras, fui deixando para depois e acabei não lendo esta obra até hoje.

    O ódio que você semeia me causou bastante impacto logo pela capa e após ler algumas impressões, inclusive a sua, pude perceber que este impacto é carregado também para o enredo, fazendo com que a obra seja fantástica.

    Acredito que a leitura exija bastante psicológico para saber lidar com as questões abordadas. Preciso realizar esta leitura para ontem hehehehe

    Abraços!

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  6. Oi Thayza, como está?
    Permita-me primeiramente dizer que a tua resenha foi a melhor que li sobre esse livro até hoje e que tu estás certa em todos os pontos abordados, ainda mais quando infelizmente essa realidade persiste.
    É simplesmente abominável discriminar alguém pela cor da pele, por gênero ou até religião e sexualidade, pois nenhuma delas define quem uma pessoa é.
    Abraços e beijos da Lady Trotsky...
    http://www.galaxiadeideias.com/
    http://osvampirosportenhos.blogspot.com

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  7. Olá, esse é um livro que quero ler muito, pois tem uma temática muito pertinente para os dias de hoje. Fico super contente ao ver que ele lhe agradou mais do que esperava e que lhe proporcionou essas reflexões.

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  8. Olá!
    Esse livro está na minha lista de leituras. Acho que tem um tema que ultrapassa gerações e que é sempre bom discutirmos e deixarmos claro o quanto já deu essa intolerância por causa de cor, classe e credo.
    Tenho certeza que essa leitura será boa e sua resenha não deixa dúvidas quanto a isso.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  9. Olá, tudo bem?

    Não conhecia a obra, mas já gostei da premissa. Para os dias atuais, e talvez para dias futuros, essa temática caiu como uma luva. Eu gosto de quando os livros nos surpreendem mais do que esperamos. E ver que você adorou muito mais do que o esperado fez ter reflexões, já ganha pontos altos comigo. Dica anotada.

    Beijos

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  10. Ooi,
    Eu estou muito curiosa com a leitura desse livro! Ele está me esperando no kindle e eu sei que será uma leitura emotiva e chocante. A temática é tão atual que até fico um pouco chateada de ainda termos que falar sobre o assunto. Já poderíamos ter superado isso né humanidade?

    Corujas de Biblioteca

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  11. Oi!

    Esse livro foi muito importante para mim, como ser humano e como uma mulher branca. Eu entendi muito mais coisas que antes eu meio que banalizava. Foi um livro essencial para minha forma como ser humano, uma leitura muito sensível. A Galera acertou de ter trazido para o Brasil, mesmo eu tendo lido em inglês. Parabéns pela resenha :D

    beijos!

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  12. Oie, tudo bem? Já tinha ldo outras resenhas positivas sobre o odio que vc semeia mas as tuas reflexões foram muito bem pontuadas. Aa vezes tambem me sinto alheia aos problemas sociais que nos cercam mas essa questao do preconceito anda batendo muito forte nos dias atuais. E cada vez que me deparo com algum ato ou cena de racismo eu fico sem entender como, em pleno ano de 2018, ainda tem tanta gente racista e preconceituosa. Eu simplesmente nao consigo entender, mas é bom que chame a atenção para a gente perceber o quanto existe o preconceito velado, as vezes simples palavras e gestos ou comentrios "sem maldade" estao cheios de odio e preconceito. A leitura parece ser real e chocante e acho que todo mundo deveria ler. Bjosssss

    www.porredelivros.com

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  13. Oi,
    quero muito ler esse livro, a abordagem dele me interessa bastante e além disso é de consenso popular que trata-se de uma história de muita qualidade, já está na meta deste e ano e espero suprir as expectativas que estão altíssimas, agora só falta a grana para poder comprar meu exemplar hahahaha

    Abraços!
    Nosso Mundo Literário

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  14. Oie, tudo bom?
    Eu quero muito ler esse livro. Estou namorando ele desde a época em que ele fazia sucesso só lá na gringa. E após ler sua resenha minha vontade só aumentou.
    Seu ponto de vista sobre o livro é bem interessante e essa foi de longe a melhor resenha que eu li desse livro.
    As questões abordadas no livro precisam ser cada vez mais abordadas para que deixem de ser um tabu na sociedade e, quem sabe assim, as pessoa finalmente mudem seus pensamentos errados sobre a questão.

    www.manuscritoliterario.com.br

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  15. Olá
    Uma amiga minha leu esse livro e disse que é quase uma leitura obrigatória. Fiquei curiosa demais com o enredo ainda mais lendo como esse livro te tocou.Amo livros assim que nos toca de uma maneira que não sabemos nem expressar eu me senti assim quando li Extraordinário, sei que são temas distintos, mas o que você sentiu lendo esse livro parece bem com que eu senti ao ler Extraordinário. Amo livro que nos traz uma lição que nos faz muda nosso ponto de vista diante de algumas coisas. Não sabia que o livro ia virar filme então tenho que ler rápido. Amei sua resenha achei bem tocante. Beijos!

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